Quando a vergonha de assumir os erros fala mais alto


Errar é uma característica inerente aos seres humanos, mas convenhamos, não é algo agradável, pois sempre implica em algum prejuízo.

No post Como eu transformei R$600,00 em R$23,00, o BP Milhão fez um comentário que achei bem interessante e que será o tema desse post:


"CF essa é a maioria mas assumir isso é difícil. 
As pessoas têm vergonha de dizer que perderam dinheiro apostando em bitcoin porque ouviram falar que ia bombar."


bitcoins


Nunca é fácil perder

Quem assume grandes riscos, como no caso das criptomoedas e ações, sabe que as chances de prejuízo são significativas, principalmente para quem não entende do assunto.

E quando o prejuízo se torna realidade, além da perda monetária e/ou física, há também uma certa sensação de fracasso, de falta de competência e emoções afins. Além da vergonha, principalmente quando o prejuízo ocorre devido a participação voluntária no "efeito manada", mesmo que isso ocorra mais no inconsciente do que no próprio consciente.

Não é porque "todo mundo" está fazendo algo que devemos seguir pelo mesmo caminho. Somos seres únicos e não "todo mundo!" Aliás, esse "todo mundo" quase sempre é uma parcela não muito grande da população.

Mesmo assim, quando aparece algo como as ondas de valorização das criptomoedas, é bem comum ficarmos sabendo que um amigo de um amigo se deu bem. Acabamos nos interessando e por buscarmos mais conteúdo sobre esse assunto, conhecemos muita gente que provavelmente também ficou sabendo sobre alguém que se deu muito bem...

E nos esquecemos completamente de que a empolgação do momento sem o conhecimento adequado pode ser um desastre.


E de repente, não se fala mais no assunto

Se no início, a empolgação, a autoconfiança excessiva e os planos futuros ocupavam a mente, quando o prejuízo bate à porta, pouco a pouco as pessoas vão saindo à francesa, pois ninguém quer assumir publicamente que se deu mal - nem que seja para um grupo pequeno.

Nesse momento, a vergonha quase sempre fala mais alto. E consegue dominar a situação.


Assumindo os próprios erros

Não é fácil assumir os próprios erros, mas esse é sem dúvida um grande passo rumo à maturidade.

Acredito que esse hábito tenha forte relação coma  infância, pois quando a criança faz algo que não deveria fazer, sempre há alguma forma de punição, mesmo se ela assumir que errou.

Se essa punição é ruim, mesmo que os erros tenham sido assumidos? 

De forma alguma! Essa punição ajuda muito no desenvolvimento do caráter e da responsabilidade.

Infelizmente a turma do "não fui eu" quando na verdade foi sim é bem maior na sociedade brasileira do que poderia ser. Será que as pessoas que agem dessa forma conseguem dormir em paz?  Eu penso que não, exceto se houver algum transtorno de personalidade em questão.


Por que é tão difícil dizer "eu errei"?

Voltando aos erros como o de investir no que não se conhece e ficar no prejuízo, no inconsciente errar está relacionado a fraqueza, fracasso, falta de capacidade, etc. E como o ego sempre quer estar em cima de um pedestal, a confusão está formada...

Não é fácil ou agradável assumir erros, mas o que seria de nós sem eles?

Sem os erros, como seria o desenvolvimento do caráter? E a resolução dos problemas complexos? E o aprimoramento constante dos processos, sejam eles de ordem pessoal ou profissional?

Mesmo sendo tão importante, por que as emoções e não a razão dominam a mente no momento em que nos esquivamos a todo custo do "eu errei"?



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Conclusão

Ninguém gosta de errar, mas podemos extrair preciosas lições dos erros - nossos e de outras pessoas. Por isso eu gosto de biografias: sempre há algo nelas que pode ser útil para cada um de nós, pensando em ambas as direções: o que fazer e o que não fazer.

Além das biografias, podemos aprender muito com as pessoas que fazem parte de nossa vida - de maneira real ou virtual.

Não vamos sair falando por aí sobre todos os nossos erros. Na verdade, precisamos estar atentos à exposição, mas por que não falar sobre aqueles que podem ser mais úteis à outras pessoas?

Crédito das imagens: 3D Animation Production Company e Geralt - Pixabay


Comentários

  1. Temos que ser sinceros conosco se quisermos de fato melhorar como pessoa. Não há outro caminho, o auto engano, auto sabotagem, só prejudica a nós mesmos.
    Isso não vale apenas no campo financeiro, vale pra tudo. A tempos atrás achei um blog que reunia advogados insatisfeitos com sua profissão e nesses blog haviam dezenas de comentários de advogados reclamando de suas carreiras, de sua rotina profissional, de sua escolha etc.
    Mas dentre eles haviam alguns que estavam atuando a 10 anos ou mais. Aí vale a reflexão, se a insatisfação está presente a anos e dificilmente o cenário mudará muito porque não admitir pra si mesmo que errou na escolha da profissão.
    Muitos eram os que reclamavam, mas poucos reconheciam que erraram e tentavam ou planejavam algo pra mudar. Esse é um exemplo, mas existem diversas outras situações que ocorrem com todos nós.
    Mas admitir um erro, dependendo do erro é dolorido, e a admissão do erro abre espaço para que mudemos, busquemos saídas e aí vem a falta de coragem e/ou conhecimento para mudar.
    Por isso em alguns casos acaba sendo mais cômodo permanecer no erro, fingindo que nãoé tão ruim assim.

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    1. Anônimo,

      Gostei do seu comentário, agregou muito valor ao tema.

      Infelizmente o exemplo que citou é muito mais comum do que imaginamos...

      "Mas admitir um erro, dependendo do erro é dolorido, e a admissão do erro abre espaço para que mudemos, busquemos saídas e aí vem a falta de coragem e/ou conhecimento para mudar."
      Esse trecho ficou muito bom. Apesar de dolorido, somente após admitirmos o erro é que as possíveis soluções poderão ser delineadas pela mente, pois do contrário, continuaremos "alimentando" a insatisfação através de justificativas injustificáveis.

      Abraços,

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  2. Excelentes lembranças, Rosana! Li já, não apenas uma vez, que os erros são os grandes momentos de nossa existência, uma vez que, com eles, podemos melhorar algum aspecto de nossa vida e ser cada vez melhores.

    A vergonha é, realmente, um fator que inibe que eles sejam mais divulgados. Acredito que ela, hoje, seja exacerbada pelo oba-oba das redes sociais, onde todos precisam estar sempre lindos, possuir vidas maravilhosas, totalmente ausente de problemas e, claro, não se permitir a cometer erros na sua vida.

    Esse sentimento faz com que as pessoas sintam que, em um erro, elas sejam "anormais", pois não "deve ocorrer" com ninguém. Isso afeta principalmente os mais jovens e pré-adolescentes, mas que existem muitos marmanjos aí ainda "jovens" com seus 30 ou 35 anos, ah, existem...

    Que o futuro seja mais sensato e traga novamente a sociedade dentro de uma lógica mais racional.

    Abraços!

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    1. André,

      "Que o futuro seja mais sensato e traga novamente a sociedade dentro de uma lógica mais racional."
      Você disse tudo... Só discordo quando disse que os mais jovens seriam mais suscetíveis, pois pelo que vejo, todas as faixas etárias parecem ter sido acometidas pela negação de erros. Inclusive hoje existe até o termo envelhescente, pois muitas características problemáticas que não eram comuns em pessoas mais velhas têm se tornado cada vez mais presentes nessas faixas etárias.

      "Acredito que ela, hoje, seja exacerbada pelo oba-oba das redes sociais, onde todos precisam estar sempre lindos, possuir vidas maravilhosas, totalmente ausente de problemas e, claro, não se permitir a cometer erros na sua vida."
      Apesar das redes sociais já existirem há um certo tempo, essa ilusão que citou é ainda bem forte. Fico me perguntando: até quando?

      "os erros são os grandes momentos de nossa existência, uma vez que, com eles, podemos melhorar algum aspecto de nossa vida e ser cada vez melhores."
      Sem os erros, acredito que o desenvolvimento humano seria mínimo, pois são eles que nos desafiam e nos impulsionam a encontrar soluções e a melhores ações e práticas na vida cotidiana.

      Abraços,

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    2. Sem dúvida, Rosana. Hoje vemos o problema em todas as faixas etárias. Meu ponto é que os jovens possuem menos background, vivência, etc, e assim, em tese, seriam mais vulneráveis. Mas é verdade seu ponto: os "envelhescentes" estão aí para atrapalhar nossas "certezas" rsrs.

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    3. André,

      Você tem razão: os jovens são bem mais vulneráveis, pois possuem pouca vivência e por isso acabam "abraçando" tais atitudes como normais. Com o tempo alguns percebem que o mundo não é assim, enquanto outros não...

      Boa semana!

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  3. Importante realmente nos lembrar que não podemos esquecer dos erros e varrer para debaixo do tapete. Todos os erros devem ser analisados para evitá-los. Obrigado por nos lembrar disso. Abcs

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    1. AA40,

      Varrer para debaixo do tapete só vai criar mais problemas no futuro... A análise sem dúvida é fundamental.

      Bom saber que gostou do meu post. :)

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  4. Olá Rosana, muito bom o texto e partilha nestas reflexões do ser único e insubstituível.
    Difícil assumir falhas pela vida, há que se ter forte personalidade e saber, que certas
    atitudes que tomamos são de suma importância para outro. Concordo que não se trata
    de pulverizar nossas falhas pelos quatro cantos, mas ter consciência de que podemos,
    ajudar pessoas a não errarem.
    Abraços amiga.

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    1. Toninho,

      Ao pensarmos que o que fazemos pode influenciar de maneira negativa a vida das pessoas que amamos, mais cuidado e sabedoria precisamos ter, pois como você disse, "certas atitudes que tomamos são de suma importância para outro".

      "Concordo que não se trata de pulverizar nossas falhas pelos quatro cantos,"
      Exatamente, mas isso é algo ainda bastante comum, pois assumir os erros exige coragem, maturidade e sabedoria. E nem todos estão dispostos...

      Bom saber que gostou do meu post. :)

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  5. Excelente texto, Rosana!

    Quando você caminhava para o final do texto, eu me lembrava exatamente da importância das biografias para aprender com os erros. Através dos erros de pessoas de sucesso, muitas vezes extraímos preciosas lições para nossas próprias vidas.

    Abraços!

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    1. Guilherme,

      Exatamente! Podemos aprender muito e evitar grandes erros através da leitura de biografias.

      Boa semana,

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  6. Muito bom o texto!
    Desde que aprendi a reconhecer meus erros (em todas as áreas) e aprender com eles, a vida ficou mais leve. Agora comecei a poupar (tardiamente) e estou engatinhando na renda variável sei que muitos erros ainda virão, o negócio é estudar para minimizar as consequências.

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    1. Concurseira,

      A vida realmente fica mais leve quando reconhecemos nossos erros em vez de insistirmos em sentido contrário.

      Parabéns por ter começado a poupar. Mesmo que tardiamente, como disse, os resultados serão muito positivos, pois quando estamos mais atentos a essa questão, naturalmente vemos o quanto de consumo desnecessário ou por impulso houve anteriormente. E essa mudança de visão faz toda a diferença. Eu tenho alguns posts sobre o tema, se quiser ver: Posts sobre Educação Financeira no Simplicidade e Harmonia

      Agradeço por sua visita, espero que goste do conteúdo do meu blog. :)

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  7. Boa noite de paz, querida Rosana!
    Errar e humano e admitir quando prejudicamos alguem e divino.
    Post reflexivo. Muito bom ler coisas boas e profundas!
    Tenha dias abencoados!
    Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

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