Game over


Quem está acostumado com o mundo dos games sabe que as palavras mais temidas de qualquer jogo são: game over.


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Nos primeiros consoles, game over significava voltar o jogo desde o início (no caso do Atari), no início da fase (Master System e Nintendo) ou no último salvamento efetuado (Playstation 1 em diante).

Em qualquer um dos casos, game over não era agradável, mas nos primeiros consoles a situação era ainda mais frustrante, pois além do objetivo final não ter sido alcançado, era necessário trilhar novamente o mesmo longo caminho desde o início.


Vidas e erros

Todos os jogos antigos que conheço são iniciados com três vidas. Dependendo do jogo, há também a possibilidade de encontrar vidas em locais específicos dos cenários.

Com a prática e um certo treinamento o jogador melhora seu desempenho enquanto utiliza suas vidas extras. E o tempo vai passado... de forma imperceptível e implacável. 

Quando resta apenas uma vida, a atenção passa a ser redobrada. E a tensão também, pois de certa forma, essa é a última chance.


Apenas uma vida!

Se nos jogos há três ou mais vidas, no mundo real há apenas uma.

Se no jogo é possível voltar fases ou treinar melhor para conquistar mais pontos, na vida real não há treino, não há ensaio.

Não é possível viver o mesmo momento duas vezes exatamente iguais, pois cada momento é inédito, único e exclusivo. Mesmo que tente repeti-lo, não conseguirá, pois você e o ambiente a sua volta já não são mais os mesmos. Embora tudo possa parecer igual, se nem mesmo o estado de ânimo com os mesmos pensamentos podem ser repetidos, imagine o restante então....


O palco da vida

Diretamente do ventre materno entramos no palco da vida.

Quem estava pronto? Ninguém.

Entre erros e acertos - alguns com mais erros e outros com mais acertos - a vida vai passando. De maneira silenciosa e imperceptível.

De vez em quando há essa percepção, como por exemplo: "Já se passaram 126 dias de 2019". Mas na rotina diária, tarefas, obrigações e distrações gritam tão alto que tornam a voz do tempo praticamente inaudível. Por isso, é sábio e prudente que mais atenção seja dada ao que é importante e essencial.

Você já pensou nisso?

Já pensou no que é realmente importante para você? E no que é essencial?

Em um mundo repleto de distrações de todos os tipos, encontrar o que é importante e/ou essencial não é uma tarefa fácil, mas é extremamente necessária para que a vida tenha propósitos nobres e que estejam de acordo com a personalidade e dons de cada um.

Raramente a vida se apresentará no modo easy, mas é digna de ser vivida da melhor maneira possível.


Prosseguindo sempre

Raramente os jogadores desistem de um jogo por este ser difícil. Muito treino e tempo são dedicados para que o objetivo seja alcançado. Mas na vida nem sempre é assim.

Enquanto no jogo a persistência parece estar sempre presente, na vida real essa qualidade parece ser uma das primeiras a serem deixadas de lado.

Se ao menos um pouco da atenção, interesse e cautela presentes quando há apenas uma vida no jogo também fizessem parte do mundo real, talvez a humanidade - como um todo - fosse bem mais desenvolvida em relação à maturidade emocional, ao desenvolvimento pessoal e ao consumo.

Quando resta apenas uma vida no jogo, a atenção passa a ser muito maior. Mas por que isso não ocorre também na vida real?
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Tempo = Vida

O tempo é um dos bens mais preciosos que temos. Se foi bem aproveitado ou não, não voltará nunca mais. Por isso, procurar viver de acordo com a sua essência é uma das chaves para a realização pessoal no grande emaranhado da existência.

Inevitavelmente o game over acontecerá na vida de todos, mas o mais importante é o que foi feito durante esse tempo. Por isso, como eu sempre escrevo aqui no blog, sua essência, valores e personalidade são os bens mais valiosos que você possui juntamente com o tempo. É através deles e das circunstâncias da vida que hoje você é quem é.

Em uma sociedade repleta de ilusões e superficialidade não é fácil trabalhar esses quatro fatores a seu favor, pois o mundo te "empurra" para hábitos e paradigmas que muitas vezes não estão de acordo com suas crenças.

Desligar-se do mundo das ilusões não é fácil, mas é muito importante para que a vida seja realmente boa e agradável.

Para encerrar, eu gostaria de convidar você a ler um dos primeiros textos que postei aqui no blog. O texto, que não é de minha autoria, é uma tocante, profunda e sublime reflexão sobre a existência humana: alegoria da existência.

Após a leitura, acredito que você começará a ver de outra forma a música a qual o texto se refere - se é que isso já não ocorreu algum dia.


Crédito das imagens:
Gino Crescoli e Christian Dorn - Pixabay


Comentários

  1. Pois é... A vida não tem Reset e o Game Over é garantido.

    Só que não sabemos como e quando o Game Over acontecerá, a vida é um cheque em branco, não temos garantia de nada além da morte e das mudanças.
    Essa incerteza, aliada as nossas limitações e influências externas resultam no cenário que você descreveu em seu post.

    OBS: A música Aquarela é uma obra de arte musical, música criativa, bem construída e reflexiva ao mesmo tempo.
    A Faber Castell através provavelmente de alguma agência de publicidade foi muito feliz na escolha dessa música como tema de comercial, a mensagem se encaixa muito bem com seus produtos e aparentemente, ao menos no início da música com o universo infantil.
    E exatamente pelo fato da maioria das pessoas terem conhecido essa música através do comercial, muitos ficaram com isso na memória associando o inicio da música a algo infantil e no Brasil essa música acabou ficando com cara e música infantil, quando na verdade não e bem assim.
    Não sou profundo conhecerdor do tema, mas acho que Aquarela tem versões em outros idiomas e teve um italiano como co-compositor.
    Há versão italiana inclusive.
    Quanta história uma música pode carregar não é mesmo?

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    1. Anônimo,

      Gostei do seu comentário, agregou muito valor ao tema.

      Como você disse, a vida é um cheque em branco, sem garantias além da certeza da morte que um dia virá e das mudanças que inevitavelmente acontecerão. Por isso, precisamos ter muita sabedoria para distinguir o que é importante e essencial para nós e não nos deixar levar pelas influências sociais que não tenham a ver com nossa essência, valores e objetivos. Quanto tempo perdemos com coisas que não valem a pena!

      Gostei do que falou sobre a música. Eu não sabia que haviam versões em outros idiomas e nem que um italiano participação de sua autoria. A Faber Castell foi muito feliz mesmo na escolha dela para seus comerciais.

      Em todas as versões dessa propaganda, a vida parece tão simples, tão agradável, tão leve.... Mas só que escuta a música até o final sabe que ela fala sobre as mudanças, sobre a colheita pelo que plantamos, sobre o ciclo completo.

      Para mim é uma música admirável. E que pode levar à muitas reflexões e também às mudanças no que é necessário.

      Boa semana,

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    2. Pois é Rosana, Toquinho morou um bom tempo na Itália e fez sucesso por lá.
      Dê uma pesquisada no Google sobre a história dessa música, é interesante saber os bastidores de criações interessantes como essa.
      Pesquisando sobre outras músicas, autores etc temos uma noção um pouco mais profunda e realista sobre esse cenário.
      Muda inclusive um pouco nossa percepção a respeito do mundo artístico.

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    3. Gostei da sua ideia, vou pesquisar sobre os bastidores da criação dessa música.
      Nossa percepção muda mesmo - e muito - ao conhecermos o que há por trás das criações artísticas.
      Abraços,

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  2. Respostas
    1. Francisco,
      Agradeço por sua visita aqui também. :)
      Boa semana,

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  3. O game over vai vir de um jeito ou de outro, pois quando zera o jogo, acabou!! não tem onde ir... temos que saber jogar o jogo, saber onde tem os combos para pontuar e achar as moedas ou potes de ouro para ajudar a ter um handicap melhor no jogo rsrsrs

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    1. Stifler Pobre,
      Verdade. Temos que procurar os combos e extras para pontuar melhor no jogo da vida.
      Um bom final de semana!

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  4. Excelente texto, Rosana!

    Fazendo uma analogia com os videogames, alguém já disse certa vez que o fato de estarmos no Brasil faz com que entremos no jogo no nível médio. Se tivéssemos na África, o jogo começaria no nível hard, e, se fosse na Europa Ocidental, no nível easy.

    Abraços!

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    1. Guilherme,
      Interessante analogia, gostei.
      Enquanto alguns dão a sorte de iniciar no easy e alguns no médio, acredito que a maioria está no difícil e extremo.
      Um bom final de semana!

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  5. Olá, Simplicidade e harmonia!

    Ótimo post! Eu também comecei a enxergar o tempo - e consequentemente o dinheiro - como uma medida da minha vida só depois que comecei a me educar financeiramente.

    Na analogia do video game, vejo que as coisas da vida são itens que ou me servem pra acelerar minha viagem (cogumelo do Mario Kart) ou me retardar (cascos e cascas de banana) no caminho até o objetivo, que é a independência financeira.

    Achei que o livro "Your Money or your life" foi o que mais me abriu os olhos para poder enxergar tudo isso desta forma. Outra lição foi o alinhamento de energia de vida (aka tempo e dinheiro) investida vs valor agregado: se você vai gastar dinheiro, que este dinheiro seja gasto com aquilo que alinha com os seus valores pessoais e te traga felicidade.

    Acabei de descobrir o seu blog e já gostei. Vou ler mais depois.

    Forte abraço!

    Pinguim Investidor
    https://pinguiminvestidor.home.blog

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    1. Pinguim Investidor,

      Gostei do seu comentário. Sem dúvida há muitos fatores que aceleram ou atrasam nosso caminho na jornada da vida. Em relação ao consumo, muito dele acaba atrasando nossa jornada, pois são produtos comprados por impulso, pelo apelo do marketing ou pressão dos familiares e amigos. Por isso é muito importante pensarmos se o que queremos comprar é realmente algo relevante, que esteja alinhado com a essência e com os valores pessoais como você disse.

      Eu já ouvi falar sobre esse livro, mas ainda não o li. Agradeço pela dica.

      Bom saber que está gostando do meu blog! Olhei rapidamente o seu e também gostei. Vou acompanhar.

      Boa semana!

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  6. E contudo... tanta gente vive a vida, como se de um jogo se tratasse...
    Um post extremamente interessante... que nos faz reflectir!...
    Beijinho
    Ana

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    1. Uma pena que muitos não dão o devido valor a vida.... E muitas vezes o arrependimento acaba chegando tarde demais. Por isso é essencial termos consciência sobre a grande importância do momento presente.
      Boa semana,

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